Introdução
Até a metade da década de 1970, as fibras eram vistas como componentes inertes nas dietas de animais carnívoros. Atualmente, há uma série de estudos que destacam os efeitos benéficos das fibras na saúde intestinal e no metabolismo de cães e gatos. Consideradas alimentos funcionais, as fibras desempenham funções dietéticas importantes, pois acredita-se que promovam uma absorção mais lenta dos nutrientes e aumentem a sensação de saciedade. Além disso, as fibras podem prevenir e/ou auxiliar no tratamento de várias doenças gastrointestinais e metabólicas, como diabetes, colites, doença inflamatória intestinal, retenção de fezes, dislipidemias e obesidade (DA SILVA, 2013).
Além disso, devido às suas propriedades químicas e funcionais, as fibras insolúveis são utilizadas em formulações alimentares para ajudar no controle de peso, estimular a sensação de saciedade, prevenir e/ou tratar dislipidemias e diabetes mellitus. Além disso, elas contribuem para reduzir a formação de bolas de pelo em gatos e melhorar a qualidade e consistência das fezes.
Efeitos fisiológicos da adição de celulose e outras fibras insolúveis
Um dos principais efeitos observados quando da adição de celulose e outras fibras insolúveis na dieta de cães é o controle da glicemia. Diversos estudos relatam que a adição de fibra insolúvel a uma dieta pode resultar em menor incremento glicêmico pós-prandial, possui efeito importante sobre a absorção de glicose, ainda que o teor de amido disponível na dieta aparente ser o fator mais importante e que mais influenciaria a resposta glicêmica (NELSON et al., 2000; MURRAY et al.,1999).
PALUMBO (2009) avaliou os efeitos de diferentes teores de amido, fibra e energia na resposta glicêmica pós-prandial e na saciedade em cães. O autor observou uma interação significativa entre o tempo e a dose de amido nas respostas glicêmicas. Além disso, houve uma tendência de controle da saciedade mediante a utilização de diferentes proporções de fibras solúveis e insolúveis.
Adicionalmente, os gatos que receberam a dieta suplementada com fibras apresentaram menor concentração média de glicose e menor área abaixo da curva pós-prandial de glicose, em comparação aos gatos alimentados com a dieta controle e outras dietas suplementadas com farelo de trigo e polpa de beterraba (FISCHER et al., 2012).
Redução do teor calórico do alimento e aumento de saciedade
A diluição da energia das dietas com fibra é hoje estratégia comum para promover a perda de peso em cães (CARCIOFI et al., 2005; JEWELL et al., 2006). Diversos autores sugeriram que um elevado conteúdo de celulose nas dietas afeta o consumo de alimentos em cães, e as observações corroboram que o aumento do teor de fibra da dieta leva à redução na ingestão de alimentos e redução na gordura corporal. Assim, as fibras dietéticas podem ser artifício importante para a restrição de calorias e modulação do apetite (DOBENECKER e KIENZLE, 1998; JEWELL et al., 2000; JEWELL et al., 2006)
Aceleração e melhora o trânsito intestinal
O tempo de retenção da digesta no trato gastrintestinal é outro parâmetro influenciado pela ingestão de fibra. Este se refere ao tempo médio que uma substância leva para passar pelo trato gastrintestinal, sendo normalmente estimado pela inclusão de um marcador no alimento ou sua administração por via oral (DA SILVA, 2013).
Em um estudo com gatos, LOUREIRO (2012) observaram que a produção de fezes, número de defecações e peso médio da defecação aumentaram, e o tempo de retenção do alimento foi reduzido pela inclusão da fibra de celulose.
Prevenção das bolas de pelo
As principais fontes de fibras listadas entre os ingredientes comumente empregadas em rações comerciais de pets incluem celulose em pó, polpa de beterraba seca, cascas de soja, raiz de chicória seca, cascas de arroz, farelo de arroz, fibra de aveia, inulina, e Psyllium, entre outras.
Faltam estudos publicados. Um ensaio que comparou uma dieta de manutenção com uma com fibras adicionadas em 102 gatos ao longo de 2 meses mostrou uma média de 21,5% menos bolas de pelo e 21,8% de redução na frequência de vômitos nos animais que tinham mais fibras em sua dieta (HOFFMAN & TETRICK, 2003).
Conclusão
A utilização de celulose como aditivo em rações para cães e gatos tem se mostrado uma ferramenta eficaz para o controle de peso e o manejo de diversas condições clínicas. A evolução do entendimento sobre o papel das fibras nas dietas de animais carnívoros desde a década de 1970 tem revelado inúmeros benefícios para a saúde intestinal e metabólica desses animais.
A inclusão de fibras insolúveis, como a celulose, em formulações alimentares contribui significativamente para o controle glicêmico, a promoção da saciedade e a melhoria da qualidade fecal. Estudos demonstram que a celulose pode reduzir a resposta glicêmica pós-prandial, melhorar o trânsito intestinal e diminuir a formação de bolas de pelo em gatos. Além disso, a celulose ajuda a diluir o teor calórico dos alimentos, promovendo a perda de peso e a modulação do apetite. Portanto, a adição de celulose em rações comerciais, como nos produtos Gatos Adultos Hairball e Cães Adultos Light da linha Zuppy Advance, oferece uma abordagem nutricional prática e eficaz para melhorar a saúde e o bem-estar de cães e gatos.
Referências
CARCIOFI, A.C.; GONÇALVES, K.N.V.; VASCONCELLOS, R.S.; BAZOLLI, R.S.; BRUNETTO, M.A.; PRADA, F. A. Weight loss protocol and participation in the treatment of canine obesity. Ciência Rural. V.35, n.6, p.1331-1338, 2005b.
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FISCHER, M.M.; KESSLER, A.M.; SÁ, L.R.M.; VASCONCELLOS, R.S.; ROBERTI FILHO, F.O.; NOGUEIRA, S.P.; OLIVEIRA, M.C.C.; CARCIOF, A.C. Fiber fermentability effects on energy and macronutrient digestibility, fecal parameters, postprandial metabolite responses, and colon histology of overweight cats. Journal of Animal Science, 2012.
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PALUMBO, G.R. Efeito da ingestão de amido, fibra e energia na resposta glicêmica pós-prandial e saciedade em cães. 2009. 73f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual de São Paulo, Jaboticabal, 2009.