A utilização da L-Carnitina como aditivo nas rações de cães e gatos: um importante promotor de saúde metabólica.

O que é a L-Carnitina

A L-carnitina, uma substância sintetizada no fígado e rins a partir dos aminoácidos essenciais metionina e lisina, desempenha um papel vital no metabolismo das gorduras e na produção de energia nas mitocôndrias. Sua principal função é transportar ácidos graxos para dentro das mitocôndrias, onde são convertidos em energia, evitando assim seu acúmulo nos tecidos adiposos. Essa substância, derivada de aminoácidos essenciais, é fundamental para o metabolismo lipídico e na preservação da massa muscular magra. A suplementação de L-carnitina, especialmente em cães que estão emagrecendo, traz benefícios como o controle de peso, a otimização do uso de ácidos graxos como fonte de energia e o aumento da vitalidade. Pesquisas mostram que a deficiência de L-carnitina pode prejudicar a oxidação das gorduras, resultando em um acúmulo excessivo de gordura corporal (TOLEDO & ALMEIDA, 2024).

 

Efeitos fisiológicos da L-Carnitina

Os processos aeróbicos oxidativos ocorrem no interior das mitocôndrias, é dentro destas organelas que a L-carnitina atua como a principal responsável pelo transporte dos ácidos graxos de cadeia longa pela membrana mitocondrial, para que a oxidação e geração de energia possa ser efetivamente realizada (KOLB, 1984). Um adequado suporte de L-carnitina atua prevenindo que o metabolismo seja direcionado para a deposição no tecido adiposo (CASE et al., 2010; MENDES et al., 2013). 

 

Efeitos da L-Carnitina no metabolismo das gorduras e no uso de energia pelas células

A L-carnitina desempenha um papel vital ao transportar ácidos graxos para dentro das mitocôndrias, onde são convertidos em energia. Por isso, sua suplementação é fundamental para manter a massa magra, especialmente durante o manejo nutricional de animais obesos que estão em processo de emagrecimento. Como ela é crucial na oxidação de gorduras, a deficiência de L-carnitina pode comprometer esse processo, levando ao acúmulo de gordura (CASE et al., 2010; GERMAN, 2010).

Em cães em fase senil, onde o metabolismo pode ser mais sensível a alterações, a suplementação com L-carnitina torna-se ainda mais relevante para otimizar o processo de utilização de gorduras como substrato energético (CASE et al., 2010).

 

Efeitos da L-Carnitina sobre a saúde cardiovascular

A L-carnitina pode ter um impacto positivo na vitalidade e na saúde cardíaca, especialmente em cães idosos, cuja produção natural de L-carnitina tende a diminuir, afetando negativamente a função cardíaca. Brown et al. (2018) enfatizam que a L-carnitina é essencial para a saúde e vitalidade de cães mais velhos, e sua suplementação na dieta é uma estratégia importante para melhorar o bem-estar físico e a qualidade de vida desses animais. 

Chetboul & Biourge (2008) relataram casos de cardiomiopatia dilatada em algumas raças de cães associada à deficiência de carnitina. A suplementação com carnitina demonstrou ser benéfica, melhorando a produção de energia do miocárdio (Freeman, 2000; Freeman, 2009).

A maneira mais prática e econômica de fornecer L-carnitina é através de alimentos comerciais terapêuticos desenvolvidos para animais com problemas cardíacos, que contêm níveis elevados de L-carnitina (CARCIOFI, 2008). Esses alimentos, que também incluem taurina, promovem o bom funcionamento dos miócitos e melhoram a contratilidade cardíaca (SAAD & FRANÇA, 2010).

 

Efeitos da L-Carnitina sobre a recuperação muscular

Em cães idosos, a suplementação com L-carnitina pode ser uma abordagem vantajosa, especialmente durante o manejo nutricional de animais obesos em fase de perda de peso. Manter a massa muscular magra é essencial nesse cenário, e a L-carnitina contribui significativamente, ajudando a utilizar os ácidos graxos de maneira eficiente como fonte de energia (CASE et al., 2010).

 

Conclusão

A inclusão de L-carnitina como aditivo nas rações de cães e gatos se destaca como uma intervenção valiosa para promover a saúde metabólica e o bem-estar geral desses animais. Esta substância, essencial no transporte de ácidos graxos para as mitocôndrias e na produção eficiente de energia, não só ajuda a evitar o acúmulo de gordura corporal, mas também desempenha um papel crucial na preservação da massa muscular magra, especialmente em animais em processo de emagrecimento. 

Além disso, sua suplementação é de particular importância em cães idosos, onde a produção natural de L-carnitina pode diminuir, comprometendo a função cardíaca e a vitalidade. O uso de rações enriquecidas com L-carnitina, especialmente aquelas formuladas para animais com necessidades específicas, oferece uma abordagem prática e eficaz para melhorar a saúde cardiovascular e promover a recuperação muscular, assegurando uma melhor qualidade de vida para os pets em todas as fases da vida.

 

Referências

BROWN, R., et al. Eicosapentaenoic Acid (EPA): An Anti-Inflammatory Omega-3 Fatty Acid for Canine Cognitive Dysfunction. Veterinary Neurobiology, 35(2), 78-92, 2018.

CARCIOFI, A. C. 2008. Manejo nutricional do cão e do gato hospitalizado. Paper presented at the Apontamentos teóricos das disciplinas de clínica das doenças carenciais, endócrinas e metabólicas e de nutrição e alimentação de cães e gatos, Jaboticabal. 

CASE, L. P., DARISTOTLE, L., HAYEK, M. G. & RAASCH, M. F. Canine and feline nutrition: A Resource for companion animal professionals: Elsevier Health Sciences, 2010. 

CASE, L. P.; DARISTOTLE, L.; HAYE K, M. G.; AND RAASCH, M. F. Types of pet foods. In: Canine and feline nutrition: a resource for companion animal professionals. 3. ed. Maryland Heights: Mosby Elsevier, 2011.

CHETBOUL, V.; BIOURGE, V. Acquired cardiovascular diseases in cats: the influence of nutrition. In P. PIBOT, V. BIOURGE & D. ELLIOTT (Eds.), Encyclopedia of feline clinical nutrition (pp. 323-355). Aimargues: Aniwa SAS, 2008. 

FREEMAN, L. M. Nutritional modulation of cardiac disease. Waltham Focus, 10(2), 2000. 

FREEMAN, L. M. Nutritional management of heart disease. In J. D. BONAGURA & D. C. TWEDT (Eds.), Kirk’s current veterinary therapy (pp. 704-708). St. Louis, USA: Saunders, 2009. 

KOLB, E. 1984. Fisiologia veterinária. Rio de Janeiro: Koogan.

MENDES, F. F., RODRIGUES, D. F., PRADO, Y. C. L. & ARAÚJO, E. G. Obesidade felina. Enciclopédia Biosfera, 9(16):1602-1625, 2013.

SAAD, F. M. O. B.; FRANÇA, J. 2010. Alimentação natural para cães e gatos. Revista Brasileira de Zootecnia, 39(1), 52-59. 

TOLEDO, M. I. F.; ALMEIDA Jr., S. T. Nutracêuticos na preservação da saúde cerebral de cães senis: revisão de literatura. Revista Agroveterinária Do Sul De Minas, 6(1), 1-11, 2024.

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