DHA (ômega 3) agora é essencial segundo AAFCO

DHA (ômega 3) agora é essencial segundo AAFCO
25/set/2017
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Depois de quase nove anos da última atualização do boletim de necessidades nutricionais de cães e gatos da AAFCO (Associação Americana de Controladores de Alimentos), foi publicada em 2016 a nova edição. Nela se destaca a especificação dos ácidos graxos ômega-3 (ALA, EPA e DHA, ou seja, ácido alfa linolênico, ácido eicosapentaenóico e ácido docosahexaenóico, respectivamente) como essenciais para animais em crescimento e em reprodução. No caso de cães e gatos adultos, embora considerados essenciais, os valores ainda não foram determinados.

Como os demais nutrientes essenciais, os ácidos graxos ômega-3 são considerados essenciais porque os animais não conseguem produzi-los, ou os produzem em quantidades insuficientes para atender a demanda. Nos últimos anos, especial interesse dos nutricionistas tem se concentrado nos ácidos graxos EPA e DHA, pois eles são relativamente difíceis de serem encontrados na natureza. Eles são originalmente produzidos principalmente por algas de águas frias e através da cadeia alimentar chegam à gordura de alguns peixes. Portanto, até recentemente, os peixes eram a principal fonte de EPA e DHA para a indústria de alimentos para animais. Hoje, já existem suplementos à base de farinhas de algas cultivadas pelo homem disponíveis no mercado.

O consumo da chamada “gordura boa”, ou seja, equilibrada em ácidos graxos ômega-6 e ômega-3, tem resultados diferentes de acordo com a fase da vida de cada animal. Durante a gestação e lactação a principal fonte de ômega-3 para o feto e o filhote vem do alimento da cadela, sendo importante, nestas fases, alimentá-la com uma dieta equilibrada nestes ácidos graxos essenciais. Por exemplo, para filhotes, que ainda tem trato gastrointestinal em desenvolvimento, o DHA é fundamental na fase de pós-desmame, pois ajuda a promover a segurança digestiva. Além disso, o DHA é essencial para o desenvolvimento cerebral e do sistema nervoso em mamíferos jovens, e contribui ainda para a visão do animal em crescimento. Em filhotes de cadelas suplementadas com DHA, tem sido observada uma maior facilidade de treinamento, maior socialização e menor comportamento destrutivo. Em adultos o consumo contínuo do ácido graxo tem ação anti-inflamatória e anti-hipertensiva, melhorando a saúde de rins e coração, além de diminuir o risco da ocorrência de tumores. O DHA ajuda ainda a reduzir a inflamação nas juntas, gengivas, pele, intestino, entre outros. Um cão alimentado com suplemento de DHA terá um pelo brilhante, dentes e gengivas saudáveis, bem como fezes mais firmes.

 

Geraldo L. Colnago
Mestre em Zootecnia/Nutrição de Monogástricos pela UF de Viçosa em 1979.
PhD em Nutrição de aves pela Universidade da Geórgia, em 1983.
Pós-Doutorado em Nutrição de Animais de Companhia pela Universidade de Illinois, em 1985.
Professor visitante da Universidade da Geórgia, 1990/1991.
Professor da Faculdade de Veterinária da UF Fluminense de 1977 a 2011.
Consultor para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da FVO Alimentos de 2002 até o presente.