Pit Bull: o mito entorno de seu temperamento

Pit Bull: o mito entorno de seu temperamento
28/jan/2016
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Pit Bull

O American Pit Bull Terrier é ainda hoje uma das raças mais incompreendidas. Devido a sua história no decorrer de seu desenvolvimento genético, e casos de violência que vieram a público, uma série de mitos e preconceitos foram atrelados a sua imagem. Alguns acidentes inclusive envolviam cães sem raça definida ou meio sangue que, por motivos alheios à herança racial (maus tratos, etc), criaram o estigma sobre a raça. Por isso é importante conhecer a raça, suas características físicas e comportamentais.

A base da raça surgiu inicialmente na Inglaterra, por volta do século XIX, através de cruzamentos entre Buldogues e Terriers. Nesse período, os cães eram classificados de acordo com sua estrutura e o trabalho desenvolvido, sem o conceito de raças individuais e padrões físicos. Dessa forma, temos aqui os buldogues (do inglês: Bulldog), cães robustos e corajosos, e por isso utilizados para guarda e na lida com gado indisciplinado; e Terriers (do latim: “terra”), cães ágeis e com estrutura para caça de animais pequenos.

Assim como os buldogues, essa nova raça que ia surgindo não só trazia o temperamento protetor, como também era utilizada no chamado “bull-baiting”, um esporte onde o cão deveria imobilizar um touro. Mais tarde, com a proibição desse esporte, os ingleses passaram a utilizar dois cães para disputarem entre si, criando então as cruéis rinhas.

Onde começou a fama

E foi esse caráter impetuoso e forte que chamou a atenção dos americanos, após a emigração de ingleses para os Estados Unidos. Os cães conquistaram um novo território, e alcançaram não só os fazendeiros, como os simpatizantes por rinhas. Através de novos cruzamentos, sempre buscando acentuar características favoráveis ao trabalho destes cães, e pela popularidade nas arenas (do inglês: “pit”, como era chamado o fosso onde ocorriam as disputas),  criou-se a raça American Pit Bull Terrier. Uma vez que o American Kennel Club se recusou a registrar a raça pela relação com rinhas, em 1898 criou-se o United Kennel Club (UKC), visando reconhecer o American Pit Bull Terrier.

A cinofilia possui órgãos e entidades internacionais que se dedicam ao estudo e regulamentação das diversas raças caninas. Para tanto, existem padrões de raça estabelecidos e documentados, e cujas características ali inseridas funcionam como critérios de avaliação. Cabe salientar que o padrão racial envolve não somente características físicas, como também temperamentais.

No Brasil, a raça é reconhecida pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), a mais antiga associação do país, e exige o mesmo padrão regulamentado pela UKC . A documentação da raça é importante para o controle das características desejáveis dos cães, e a homogeneização dos canis registrados, impondo a seriedade e compromisso com a cinofilia. Por esse motivo, é essencial a procura por exemplares da raça provenientes de canis registrados em órgãos reconhecidos.

A respeito da raça, a United Kennel Club (UKC) diz que “o resultado foi um cão que reunia em si todas as virtudes dos grandes guerreiros: resistência, coragem indomável e gentileza com os que ama”. Isso traz à luz o real temperamento buscado na raça, que apesar de todo histórico violento por trás do seu aperfeiçoamento, traz consigo a amabilidade digna de um cão de companhia.

Desmitificando a raça 

É importante desmistificar a imagem do Pit Bull como agressivo diante de pessoas. Muito pelo contrário: seu temperamento dócil com humanos foi inclusive motivo para deixarem de lado a função de guarda patrimonial, uma vez que mesmo com indivíduos estranhos eles agiam com simpatia, passando a focar na lida com gado e com outros animais agressivos.  Vale ressaltar que o temperamento do Pit Bull exige um proprietário que entenda suas particularidades . Trata-se de uma raça que exige espaço, porém se adapta bem a vida em apartamento, desde que realize passeios diários (lembrando que o uso de focinheira é indispensável em ambientes públicos). A socialização com outros animais deve ser realizada desde os primeiros meses de vida e, em casos de animais já adultos, considerar o auxílio de um profissional em adestramento que conheça bem a raça.

Além disso, há o papel importante que os proprietários possuem diante do condicionamento do animal, sendo essencial a conscientização tanto a respeito da posse responsável , como do conhecimento da raça, a fim de preservar um cão que atenda às expectativas dos órgãos de cinofilia, mas, acima de tudo, às expectativas dos amantes da raça American Pit Bull Terrier.

 

Referências: United Kennel Club

Game Dog History