USO DE CORANTES NOS ALIMENTOS PARA ANIMAIS DE COMPANHIA

USO DE CORANTES NOS ALIMENTOS PARA ANIMAIS DE COMPANHIA
24/out/2017
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Cães e gatos, diferentemente das aves, não conseguem ver em cores. Então, qual a razão para o  uso indiscriminado de corantes nos alimentos para animais de companhia? Os alimentos secos e extrusados para cães e gatos ganharam larga aceitação pelos donos de animais de companhia a partir do início da década de 1980, principalmente por ser uma forma fácil e prática de alimentá-los. Também, consumindo estes alimentos cães e gatos produziam fezes mais secas, bem formadas e com odor menos intenso, o que é muito importante no caso de animais mantidos em apartamentos. Com a popularização destes alimentos aumentou a competição entre as empresas que os produziam. Diferentemente dos animais de companhia que usam o olfato e sabor como principais  fatores na escolha de seus  alimentos, o ser humano, que é quem compra o alimento para os animais,  é muito influenciado no processo de escolha pelo aspecto visual dos produtos. Como forma de atrair o comprador para seus produtos, as empresas lançaram mão do uso dos corantes para, com formas e cores atraentes nos pelletes, levar o comprador a optar por seus produtos. Assim, nas décadas de 1980 e 1990 o uso de corantes tornou-se muito popular nos alimentos secos extrusados para animais de companhia. Outro fator que contribuiu para o uso de corantes é que os ingredientes que são usados na formulação dos produtos têm variação de tonalidades ao longo do ano, alterando o aspecto visual dos mesmos. Com o uso de corantes esta variável era eliminada e a suspeita do cliente de que a formulação do produto tenha sido modificada ficava encoberta. A cor também foi usada para associar-se ao sabor do alimento. Assim, os produtos sabor carne eram vermelhos e os sabor frango amarelos, etc.

Em relação a sua origem, os corantes são agrupados em três grandes grupos: os naturais produzidos por plantas, insetos ou microorganismos; os naturais sintéticos, ou seja, aqueles semelhantes aos naturais, mas produzidos em laboratórios e os artificiais, que são aqueles que não existem na natureza e são produzidos a partir de síntese química. Por seu preço, estabilidade e oferta, este ultimo grupo é o mais empregado nos alimentos, seja para animais de companhia ou para o homem. Usados dentro das recomendações técnicas são produtos seguros. Todavia, a partir do final da década de 1990, concomitantemente com o crescimento das vendas dos alimentos superpremium, começou a surgir entre osconsumidores uma rejeição aos produtos com corantes, principalmente os sintéticos. Aproveitando esta resistência ao uso de corantes, os fabricantes de alimentos superpremium começaram a propagar a ausência de corantes nestes produtos como um diferencial de qualidade. Hoje, quando usados, somente corantes naturais são empregados nos alimentos superpremium.

Embora sem uma razão técnica para sua exclusão, mas em função das pressões do mercado, e pelo fato de nada agregar a qualidade do produto, a tendência no curto e médio prazos  é que haja uma redução no uso de corantes nos alimentos secos extrusados para cães e gatos.

 

Geraldo L. Colnago
Mestre em Zootecnia/Nutrição de Monogástricos pela UF de Viçosa em 1979.
PhD em Nutrição de aves pela Universidade da Geórgia, em 1983.
Pós-Doutorado em Nutrição de Animais de Companhia pela Universidade de Illinois, em 1985.
Professor visitante da Universidade da Geórgia, 1990/1991.
Professor da Faculdade de Veterinária da UF Fluminense de 1977 a 2011.
Consultor para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da FVO Alimentos de 2002 até o presente.